
A 15 de Junho de 2025, os ministros dos Recursos do Congo, África do Sul, Botswana e Namíbia assinaram, na capital angolana, o que se convencionou denominar de “Acordo de Luanda”.
Foi um importante passo dado rumo à defesa, à salvaguarda e a reafirmação dos diamantes naturais, de sorte que os seus signatários mereceram uma calorosa recepção por parte do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, no Palácio da Cidade Alta, em jeito de reconhecimento pela ousada decisão.
Em Luanda, os governantes desenvolveram uma abordagem generalizada sobre o actual estado das políticas ligadas ao sector dos minerais e petróleos, manifestando o compromisso com o incremento da publicitação e a valorização dos diamantes naturais.
Assinado, antes, na capital angolana, o “Acordo de Luanda” veio a ser reforçado na Cidade do Cabo, na África do Sul, à margem do Minning Indaba, no que confirmou, uma vez mais, o alinhavar a determinação dos principais produtores na unidade dos diamantes naturais.
Na capital do poder legislativo sul-africano, Angola, Botswana e Namíbia reiteraram o compromisso de revitalização da imagem e do valor dos diamantes naturais por meio de estratégias conjuntas e campanhas educativas para os consumidores.
E isso mesmo ficou patente nos pronunciamentos do ministro angolano dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, que testemunhou a cerimónia em território sul-africano, reconhecendo os desafios impostos pelos diamantes sintéticos e, ao mesmo tempo, destacando a total contribuição de Angola para o financiamento das campanhas de marketing, disponibilizado para o efeito pelas gigantes angolanas do sector, ENDIAMA e SODIAM.
O objectivo deste tipo de acção é claro: a defesa intransigente de uma actuação coordenada entre produtores e parceiros.
E há razões para esta tomada de posição: é que não sendo propriamente o fim, o “Acordo de Luanda” marca, na verdade, o início de uma nova etapa, aquela que vem desafiar o status quo e, por conseguinte, oferecer uma resposta coesa às transformações na indústria diamantífera regional e mundial.
É, em simples palavra, um instrumento que vem representar um ponto de viragem, marcado pela união e uma visão comum: garantir a autenticidade, o impacto social e o valor económico dos diamantes naturais num cenário marcado pela ascensão dos diamantes sintéticos ou de laboratórios e pela fraca procura global.
Ficou, por isso, definido que cada signatário passa, doravante, a contribuir com 1% da sua receita bruta anual proveniente da venda de diamantes brutos para financiar uma iniciativa global de Marketing, sob liderança do Natural Diamond Council (NDC), organização sem fins lucrativos dedicada a educar e inspirar consumidores sobre os valores que tornam os diamantes naturais únicos.
O ‘Acordo de Luanda’ é uma forte resposta ao que se consideram narrativas enfraquecedoras para o segmento dos diamantes naturais e, por via disso, uma aposta firme na construção de um futuro sólido para o futuro da indústria diamantífera.
Torna-se, por isso, um imperativo defender este legado, bem como o impacto económico e social que geram ao longo de toda a cadeia de valor – da mineração à joalheria.
Os seus signatários entendem que o instrumento ora rubricado (Acordo de Luanda) surge em momento oportuno como um verdadeiro escudo em defesa da autenticidade, da proveniência e do valor simbólico e económico que apenas um diamante natural carrega.