
Os governos dos Estados Unidos e de Goiás assinaram, recentemente um memorando de entendimento para aumentar o acesso de empresas americanas a minerais críticos e terras raras no estado de Goiás, Brasil.
O acordo tem três pilares. Será realizado um levantamento de todo o potencial mineral de Goiás, em parceria com o governo americano. Em seguida, o Estado terá prerrogativas para identificar as áreas de interesse e criar políticas para a exploração de minerais naquelas áreas.
O terceiro ponto do memorando prevê parcerias técnicas, para que os minerais não sejam apenas extraídos, mas processados em Goiás.
“Junto com as universidades, [vamos] desenvolver em parceria com o governo americano as tecnologias. A separação desses minerais críticos é complexa. É uma técnica que os americanos têm e que nós ainda estamos numa fase ainda muito rudimentar”, disse o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), após assinar o acordo, numa cerimónia no Consulado dos EUA em São Paulo.
“Goiás, com este acordo feito com o governo americano, deixa de ser apenas um estado que fornece matéria-prima, como o Pará”, afirmou.

Parceria a nível federal
A parceria entre Goiás e o governo dos Estados Unidos é a primeira do tipo com um Estado brasileiro.
Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA no Brasil, que chefia a embaixada americana no país, disse que há negociações em andamento para um acordo em nível federal.
“Neste momento já temos proposta de acordo ao nível federal. Estamos em discussões; tivemos algumas discussões preliminares, mas de momento estamos a espera de uma resposta favorável”, disse Escobar.
“Este acordo vai abrir ainda mais portas para exploração, para o desenvolvimento e, acima de tudo, para o investimento. É um acordo que, como dizemos nos Estados Unidos, é win-win (ganha-ganha)”, afirmou o americano.
Minas em Goiás
O estado de Goiás, no Brasil, tem reservas de terras raras e de metais muito usados em novas tecnologias, como nióbio e níquel. Em 2023, foi aberta a primeira mina de terras raras goianas, em Minaçu, no norte do Estado.
Em Novembro de 2025, o projecto recebeu um financiamento de até US$ 465 milhões do governo americano. A unidade é controlada pela empresa Serra Verde.
A unidade de Minaçu é a única fora da Ásia a processar, em escala comercial, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras, segundo o Ministério de Minas e Energia.
As terras raras são minerais usados em tecnologias de ponta, como baterias e chips de última geração. Eles não são necessariamente difíceis de encontrar, mas sim de serem separados dos demais materiais do solo.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, depois da China. O país da Ásia gera mais de 60% da produção global e refina quase 90% do total de terras raras.
Exame