
A mineradora Vale transformou a antiga Mina de Águas Claras (MAC), em Nova Lima (MG), no Brasil, em território voltado à conservação ambiental, desporto, cultura e lazer, marcando o primeiro processo de encerramento de uma mina da companhia com transição gradual para novos usos.
A área, com mais de 1.900 hectares e localizada em Belo Horizonte e vizinha à Serra do Curral, terá cerca de 93% da sua extensão destinada à preservação da biodiversidade, incluindo nascentes, cursos d’água, vegetação nativa e fauna local, disse à Reuters a directora de Gestão de Territórios Sul/Sudeste e Reparação da Vale, Gleuza Jesué.
Para o futuro, a Vale já estuda projectos de uso futuro para a mina Córrego do Meio, em Sabará, já paralisada, e outras em Itabira, ambas em Minas Gerais, que têm actualmente previsão para exaustão em décadas. Também há estudos para Carajás (PA), onde a empresa conta com o seu maior complexo de mineração, em área da floresta amazónica.
O projecto da MAC prevê a abertura gradual do espaço à população, combinando recuperação ambiental, segurança e novos usos de interesse público e procura preservar áreas ambientais relevantes da Serra do Curral e da Mata do Jambreiro, afirmou a executiva.
“Quando a gente fala em encerramento, não estamos a falar em encerrar uma actividade produtiva. Mas estamos a tratar aí como uma transição territorial para uma nova oportunidade, para uma nova fase”, disse Jesué, em videoconferência.
A Mina de Águas Claras produziu 290 milhões de toneladas de minério de ferro entre 1972 e 2002. Desde que assumiu a gestão da área após adquirir a MBR, em 2006, a Vale conduz acções de recuperação ambiental e encerramento da unidade, segundo a executiva.
A executiva destacou ainda que os novos usos consideram actividades económicas relacionadas a turismo, conservação, desenvolvimento urbano e outras que podem se instalar ali e se desdobrarem.
Entre as iniciativas já implementadas está a ampliação da trilha que conecta a área ao Parque da Serra do Curral, segundo a directora.
A Vale também cedeu, por meio de acordos de comodato, quase 108 mil metros quadrados de áreas verdes incorporadas ao Parque da Serra do Curral.
Jesué afirmou que tem sido feito um trabalho constante de ouvir a sociedade sobre os próximos usos da mina.
“É impossível decidirmos sozinhos o que será oferecido à sociedade. As pessoas se sentem incluídas a partir do momento em que elas participam de um processo como esse. E como elas serão as usuárias, são elas que precisam nos dizer o que de mais importante gostariam de ter ali”, afirmou.
Segundo ela, a empresa realizou pesquisas, oficinas e reuniões públicas para discutir o futuro da área, envolvendo mais de 22 mil pessoas. Em Julho, a mina já recebeu uma etapa do circuito XTERRA Brasil, reunindo mais de 3.500 atletas, e a companhia desenvolve ainda um projecto para implantação de um parque voltado ao ciclismo.
Reuters