
Numa altura que o sector mineral acompanha de perto as transformações verificadas na cadeia mundial de produção e comercialização de pedras preciosas, face a presença crescente dos diamantes sintéticos no mercado internacional que colocaram novos desafios à indústria diamantífera, Angola está a reforçar a promoção e valorização do diamante natural.
O assunto sobre os diamantes produzidos em laboratório vai voltar a estar sobre a mesa de debates durante a Conferência Internacional de Minas (CIM 2026), que vai decorrer nos dias 26 e 27 de Novembro próximo, em Luanda.
O evento que se prevê ser único e bastante concorrido vai reunir representantes do sector diamantífero e das restantes áreas dos recursos minerais nacionais e internacionais com vista a aprofundar a ‘guerra’ entre os diamantes naturais e sintéticos bem como encontrar sinergias que visem alavancar a venda dos diamantes naturais dos quais Angola aparece nos lugares cimeiros do mundo (terceiro maior produtor do mundo).
Jânio Corrêa Victor, secretário de Estado para os Recursos Minerais, reconheceu que os diamantes sintéticos já fazem parte do mercado internacional e são actualmente produzidos em laboratório para posterior comercialização.
Para o responsável, que falava no início do mês em curso durante o lançamento da realização do evento, essa realidade exige uma maior atenção à promoção do diamante natural e à explicação das diferenças existentes entre os dois produtos, sobretudo no que diz respeito à origem, ao processo de produção e à cadeia de valor associada.
“Um produto sintético é algo que é lançado no laboratório”, afirmou Jânio Corrêa Victor, ao explicar que o diamante produzido artificialmente apresenta uma cadeia de produção diferente daquela que envolve o diamante natural.
Diamante natural tem uma cadeia de valor mais ampla
Na perspectiva do governante, um dos elementos centrais na promoção do diamante natural deve ser a valorização da cadeia económica e social que está por detrás da sua produção.
O diamante natural está associado a uma sequência de actividades que começa na prospecção e passa pela exploração e produção mineira, seguindo posteriormente para a lapidação e comercialização.
“Temos toda a envolvente, desde a prospecção, a produção e a própria lapidação”, explicou.
Para Jânio Corrêa Victor, esta cadeia envolve directamente trabalhadores, empresas e comunidades, fazendo com que o impacto da actividade diamantífera ultrapasse o valor comercial da própria pedra.
A exploração de diamantes está igualmente ligada à criação de emprego e à dinamização económica das zonas onde estão localizados os projectos mineiros, acrescentando uma dimensão social à actividade.
É precisamente esta cadeia de valor que as autoridades angolanas pretendem colocar em evidência na promoção do diamante natural, num contexto em que os produtos sintéticos conquistam espaço no mercado.
Angola “na linha da frente” do debate sobre diamante natural
A preocupação com o posicionamento do diamante natural perante os produtos sintéticos já esteve presente em iniciativas anteriores promovidas por Angola.
Segundo o secretário de Estado, no ano passado o país realizou uma conferência que reuniu vários países africanos produtores de diamantes, organizações internacionais e representantes da indústria.
O encontro serviu também para discutir a necessidade de reforçar a promoção internacional do diamante natural e encontrar formas de responder às transformações verificadas no mercado.
A estratégia passa por comunicar não apenas as características do diamante natural, mas também a importância económica da cadeia que lhe está associada.
Neste contexto, a produção natural é apresentada como uma actividade que mobiliza diferentes sectores e profissionais, desde a pesquisa e exploração até à transformação e comercialização.
Conferência junta sector diamantífero e demais recursos minerais
A realização da CIM 2026 representa também uma alteração no modelo dos encontros promovidos pelo sector.
De acordo com Jânio Corrêa Victor, Angola tem realizado, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), a Conferência Internacional de Minas e a Conferência Internacional de Diamantes de forma alternada.
Este ano, devido aos condicionalismos de tempo e à necessidade de concentrar os eventos, o Executivo decidiu realizar uma conferência única, reunindo os dois segmentos.
A iniciativa pretende criar uma plataforma mais ampla de discussão sobre os recursos minerais e permitir uma maior aproximação entre os diferentes intervenientes da indústria extractiva.
A organização espera receber cerca de 800 convidados, embora o número total de participantes possa ser superior, tendo em conta o carácter aberto do evento.
Marginal de Luanda acolhe encontro
A Conferência Internacional de Minas terá lugar nas tendas da Marginal de Luanda, nos dias 26 e 27 de Novembro do ano em curso.
A escolha do local está relacionada com a capacidade de acolher um número elevado de participantes e com a existência de infra-estruturas de apoio, incluindo uma ampla oferta hoteleira na capital.
A organização está igualmente a preparar a componente técnica e científica, com a expectativa de reunir especialistas e oradores de diferentes áreas relacionadas com os recursos minerais.
O encontro deverá congregar governantes, investidores, empresários, especialistas, representantes de empresas mineiras, organizações internacionais e outros actores ligados à indústria.
Entretanto, para além do debate sobre os diamantes sintéticos, a conferência deverá colocar em destaque a necessidade de aumentar a atracção de investimento para o sector dos recursos minerais angolanos em franco desenvolvimento, conforme tem destacado nas suas intervenções, o responsável do pelouro Diamantino Azevedo.