
No noroeste do Rio Grande do Sul, no Brasil, existe um município de pouco mais de 7 mil moradores onde está implantaca uma igreja com 40 toneladas de ametistas, adegas, museus e restaurantes construídos em antigas galerias de mineração subterrânea da região.
A jazida de ametista localizada sob Ametista do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul, moldou a economia, o nome e até os pontos turísticos do município de pouco mais de 7 mil moradores.
Além da mineração, antigas galerias passaram a abrigar adegas, restaurantes e museus, enquanto mais de 40 toneladas de pedras revestem a igreja matriz local.
Jazida nasceu em rochas formadas por antigos derrames de lava
A presença de grandes quantidades de ametista em Ametista do Sul está relacionada à formação geológica da região durante o período Cretáceo.
Sucessivos derrames de lava cobriram parte do sul da América do Sul e formaram espessas camadas de basalto.
Dentro de bolhas de gás aprisionadas na rocha, a sílica foi sendo depositada lentamente durante milhões de anos.
Esse processo originou os geodos, cavidades revestidas internamente por cristais. São essas formações que actualmente podem ser retiradas inteiras das minas existentes no município.
Segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, Ametista do Sul está localizada sobre a maior jazida de pedra ametista do mundo.
O Instituto Brasileiro de Mineração, IBRAM, também apresenta o município como a Capital Mundial da Pedra Ametista.
Entre os destaques associados à cidade estão ainda a maior colecção de minerais da América Latina, o maior meteorito encontrado no Rio Grande do Sul, com 131,4 kg, e a primeira adega subterrânea construída dentro de uma mina.
Igreja reúne mais de 40 toneladas de ametistas doadas por garimpeiros
A relação entre a mineração e a vida quotidiana também chegou ao principal templo religioso do município.
O Portal do Estado do Rio Grande do Sul registou que a Igreja São Gabriel foi entregue com aproximadamente 30 toneladas de ametistas no seu interior. As pedras haviam sido doadas por garimpeiros.
As doações continuaram depois da inauguração. Conforme informações da Prefeitura Municipal de Ametista do Sul, actualmente existem mais de 40 toneladas de pedras no templo.
A prefeitura apresenta a construção como a única igreja do mundo revestida em ametista. O altar também utiliza geodos abertos na decoração, enquanto a pia baptismal foi esculpida em uma única peça.
A entrada de luz pelas janelas produz mudanças na aparência dos cristais ao longo do dia, fazendo as paredes variarem visualmente entre tons mais claros de lilás e roxo mais intenso.
Pedra mudou até o nome de Ametista do Sul
A história da mineração local começou décadas antes da emancipação do município.
Segundo registos municipais, os primeiros cristais foram encontrados durante a década de 1940, aparecendo entre raízes de árvores, encostas de córregos e lavouras de moradores dedicados principalmente à agropecuária.
Na época, a localidade era conhecida como São Gabriel.
A partir dos anos 1970, o sistema de extracção por poços começou a ser substituído pelas chamadas furnas, túneis escavados na rocha que podem alcançar vários quilómetros. Empresas exportadoras também passaram a investir na actividade mineral da região.
A emancipação ocorreu em 20 de Março de 1992. Como já existia outro município chamado São Gabriel no Rio Grande do Sul, a riqueza encontrada no subsolo inspirou o nome Ametista do Sul.
A importância da gema também ganhou reconhecimento estadual. Em 2013, a ametista foi escolhida como mineral símbolo do Rio Grande do Sul, decisão posteriormente aprovada pelos deputados estaduais em 2015.
Além da mineração, a administração municipal aponta o turismo, agropecuária, fruticultura e vitivinicultura entre as actividades que sustentam a economia.

Minas desactivadas viraram restaurantes, museus e adegas subterrâneas
Parte das antigas estruturas usadas na exploração mineral ganhou novas funções com o desenvolvimento turístico.
O Ametista Parque Museu mantém um acervo superior a 1.500 exemplares de minerais e oferece visitas a galerias subterrâneas. O espaço também abriga uma ametista de 2,5 toneladas, apresentada como a mais valiosa já extraída na região.
Na Vinícola Ametista, os vinhos são envelhecidos dentro de antigas galerias. A Coperametista também utiliza furnas desactivadas, onde as bebidas permanecem em ambiente com temperatura constante de 17°C e escuridão total.
O Belvedere Mina reúne hospedagem e restaurante temático dentro de uma mina desactivada e inclui demonstração de detonação entre as suas actividades.
Outros pontos apresentados pelos órgãos locais incluem a Pirâmide Esotérica, o Shopping das Pedras e o Trenzinho das Pedras, cujo percurso passa por mata nativa, mirantes e áreas próximas a garimpos.
A cada dois anos, Ametista do Sul também recebe a Expopedras, feira voltada à indústria e ao comércio de gemas e joias, aproximando produtores de compradores nacionais e internacionais.
CPG