EXPLORAÇÃO DE MINERAIS CRÍTICOS EXIGE MÃO DE OBRA QUALIFICADA E GERA AMPLIAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO DO SECTOR

EXPLORAÇÃO DE MINERAIS CRÍTICOS EXIGE MÃO DE OBRA QUALIFICADA E GERA AMPLIAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO DO SECTOR

Até 2050, com investimentos estrangeiros, o Brasil pode gerar cerca de 750 mil empregos no sector de minerais críticos, desde a mineração até a fabricação de produtos. É o que aponta um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, divulgado no último mês.

O ex-presidente da Vale e do Instituto Brasileiro de Mineração, Wilson Brumer, destaca que grande parte dessas vagas deve ser voltada a profissionais especializados. O beneficiamento de terras raras, por exemplo, procura químicos e engenheiros especializados em metalurgia e automação industrial, num sector cada vez mais ligado à alta tecnologia.

“A mineração tem N tecnologias. Se formos a uma operação mineral, nós vamos ver camiões fora da estrada que não usam necessariamente as pessoas, tudo isso via tecnologia. A tecnologia de aprimoramento das próprias operações é enorme. São engenheiros formados, são geólogos formados e, por trás da mineração, há muita tecnologia envolvida”, comenta.

Ex-presidente da Vale e do Ibram, Wilson Brumer • Fábio Vieira

Ampliação do mercado

A exploração de terras raras ainda está em processo de amadurecimento, com mapeamento de reservas e projectos minerais em estágio inicial. Com o crescimento do sector, a procura por mão de obra qualificada tende a aumentar, num mercado que ainda não conta com profissionais suficientes para atender às novas necessidades.

Gerente do Senai da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Ricardo Aloysio • Anderson Porto / Itatiaia

O gerente do Senai da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Ricardo Aloysio, explica que essa procura vai além das funções tradicionalmente associadas à mineração.

“O gargalo, assim, como a cadeia vai ser muito grande e ela vai gerar muita riqueza, isso é um lado bom, a gente vai precisar de muita mão de obra especializada. Então não é só aquele operador de mina, operador de pá carregadeira, técnico de manutenção. A gente começa a precisar de um profissional que domine, por exemplo, a digitalização.

O processo de extracção das reservas vai ser baseado em tecnologia. Então nós vamos ter lá presente IoT, nós vamos ter lá presente inteligência artificial, muita automação robótica vai estar muito presente, por incrível que pareça, muita operação autónoma. Isso tudo para dar eficiência, para dar produtividade e, obviamente, sustentabilidade ao processo”, explica.

José Marques Braga Júnior, director de uma mineradora de minerais críticos no Sul de Minas • Anderson Porto / Itatiaia

Para acompanhar essa procura, algumas empresas já começaram a preparar os funcionários. José Marques Braga Júnior, director de uma mineradora de minerais críticos no Sul de Minas, afirma que a qualificação profissional é um dos caminhos para atender às necessidades do sector.

“A gente está a garantir que, para a fase de operação, a gente vai ter pelo menos 80% da nossa mão de obra local e, para isso, a gente está fazer alguns cursos profissionalizantes, cursos técnicos aqui na região. Eu vou citar aqui um deles que a gente está a fazer em parceria com o Senai, que é o curso técnico de mineração. É a primeira turma que está a ser formada agora, que iniciou há dois meses, com previsão de conclusão do curso no ano que vem”.

Itatiaia