ANGOLA REFORÇA RASTREABILIDADE DE MINÉRIOS EM PLATAFORMA TECNOLÓGICA

ANGOLA REFORÇA RASTREABILIDADE DE MINÉRIOS EM PLATAFORMA TECNOLÓGICA

A rastreabilidade, transparência e as melhores práticas socioambientais na cadeia de valor dos minerais angolanos passam a ser cada mais reforçadas no país, através de uma plataforma tecnológica baseada num conjunto de dados digitais agrupados em cadeia denominado “blockchain”.

A iniciativa é da Câmara de Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Minérios de Angola (CCIGPMA) e da empresa belga iTraceit, que assinaram esta quarta-feira, em Luanda, um memorando de entendimento que visa conferir um “passaporte digital” aos recursos minerais do país, identificando a sua origem e destino.

De acordo com o fundamento do memorando assinado, o acordo busca elevar a competitividade dos produtos angolanos no mercado internacional, garantindo o cumprimento rigoroso do padrão mundial de conformidade (compliance), governação e responsabilidade social.

Para a presidente da CCIGPMA, Isabel Fonseca, a adopção dessa tecnologia agrega valor à riqueza natural de Angola e alinha o sector extractivo com as exigências dos grandes compradores globais.

“O país tem de continuar a reforçar e valorizar os seus minerais, alinhar-se ao que melhor se faz a nível internacional. Por isso, essa tecnologia permite o registo das operações e o rastreamento de activos em rede de negócios, garantindo a integridade dos dados e a segurança das transacções”, sublinhou.

Isabel Fonseca, Presidente da CCIGPMA / Foto: Angop

Em declarações à imprensa, destacou que a rastreabilidade permite comprovar que os diamantes e outros minérios vêm de projectos transparentes e conscientes, que respeitam as comunidades e geram impacto social positivo.

Avançou, igualmente, que cerca de 95% da produção de diamantes em Angola já utiliza a tecnologia de rastreabilidade da iTraceit, abrangendo cerca de oito grandes sociedades mineiras.

Por sua vez, a directora de Desenvolvimento e Negócios da iTraceit, Jeniffer Moriconi, frisou que o rastreamento via software funciona como uma ferramenta essencial de mercado para atracção de investidores e compradores.

“A nossa tecnologia garante a conexão de informações desde a mina e manufactura até às marcas finais no mercado internacional”, frisou.

Explicou que, o objectivo passa por permitir que as empresas angolanas, desde as pequenas às grandes, demonstrem o seu compromisso com os padrões globais e sejam recompensadas pelo seu esforço de transparência.

Sobre o novo acordo, a directora disse que a CCIGPMA e a iTraceit pretendem estender a utilização desse ecossistema digital a outros minérios estratégicos e críticos, como o ouro, lítio, cobre, cobalto e manganês, além de dinamizar acções de capacitação e suporte técnico às empresas associadas nos próximos meses.

Principais compromissos do memorando

A Câmara de Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Minérios de Angola (CCIGPMA), nesse protocolo, actua como líder do mapeamento de investidores internacionais (Fundos Soberanos, Private Equity, entre outras instituições), estruturar os modelos financeiros baseados nos dados de rastreabilidade e gerir as negociações globais.

Enquanto a iTraceiT tem como missão identificar projectos elegíveis no terreno, realizar auditorias obrigatórias de conformidade/rastreabilidade e implementar a plataforma tecnológica blockchain, para validação de dados em tempo real.

Também promove acções conjuntas, a criação de uma plataforma partilhada de gestão de projectos e realização de missões internacionais de investimento em praças financeiras globais, como Londres, Dubai e Nova Iorque.

Angop