SECTOR MINERAL: CAPITAL, CUSTOS E PRODUTIVIDADE IMPACTAM ATRACTIVIDADE NO BRASIL

SECTOR MINERAL: CAPITAL, CUSTOS E PRODUTIVIDADE IMPACTAM ATRACTIVIDADE NO BRASIL

A EY divulga o estudo global ‘Top 10 Riscos e Oportunidades para Mineração e Metais’ anualmente com a meta de mapear as principais preocupações das lideranças das maiores empresas do sector. Por meio de uma combinação de dados e a experiência dos especialistas, o levantamento oferece uma série de insights relevantes para apoiar decisões estratégicas e embasadas. Na edição 2026, o recorte dedicado ao Brasil destaca os factores que mais impactam a atractividade e a competitividade, como capital, custos e produtividade.

O factor ‘capital’ lidera o ranking no Brasil, tendo em vista que a maior selectividade dos investidores elevou o custo de financiamento e colocou o acesso a recursos no centro das decisões empresariais. Em seguida, aparecem os desafios relacionados ao aumento dos ‘custos’ e da ‘produtividade’ e à licença para operar.

“O capital para investimentos está mais selectivo e, consequentemente, mais caro. O acesso ao capital teve prioridade na visão do mercado brasileiro, enquanto a complexidade operacional foi o destaque do ranking global. Embora a geopolítica seja importante na agenda do sector, os focos brasileiro e global mostram que os executivos adoptaram uma postura pragmática, focando em temas ao seu alcance”, analisa Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY.

O capital global tem incorporado cada vez mais critérios geopolíticos nas suas decisões de alocação ao priorizar activos localizados em jurisdições consideradas ‘friend‑shore’ ou geopoliticamente alinhadas. O facto pode fazer com que o Brasil se torne relativamente mais atractivo, somado a factores estruturais, como a presença de reservas de minerais críticos subexplorados, a localização fora de zonas de conflito e uma matriz energética comparativamente mais limpa. Quando perguntados sobre opções de alocação, 34% dos respondentes brasileiros sinalizaram M&As e 36% desenvolvimento brownfield – projectos desenvolvidos em áreas com infra-estrutura existente, minas em operação ou depósitos já conhecidos, ambos com médias maiores que as globais (25%).

A geopolítica também é uma oportunidade para o Brasil para os minerais críticos, uma vez que o País não está em conflitos mundiais e cresce a visibilidade para fortalecer o papel estratégico das terras raras brasileiras na economia global. A ressalva é: se, por um lado, a não participação em embates pode limitar o relacionamento com potenciais parceiros, por outro, a ausência de um posicionamento claro e estratégico também pode resultar na perda dessa janela de oportunidade.

“É preciso equilíbrio: cautela diplomática, mas também visão estratégica, porque os minerais críticos serão fundamentais para diversas indústrias no futuro”, alerta Marcelo Andrade, sócio de Estratégia e Transacções da EY‑Parthenon.

O impacto das tarifas nas operações e vendas nos próximos 12 meses também foi um factor de destaque no tema “capital”.

Para fazer frente, 62% das empresas brasileiras revelaram planos de diversificar a cadeia de suprimentos, transferindo a produção ou o fornecimento para regiões sem tarifas, enquanto 53% indicaram que vão absorver os custos adicionais internamente, por meio de ganhos de eficiência operacional e redução de custos. A complexidade operacional lidera o ranking global.

No Brasil, embora ocupe a quinta posição, continua a ser um tema que exige atenção, por conta de um ambiente regulatório mais rigoroso e do esgotamento gradual dos depósitos minerais, responsáveis por impor novos desafios ao sector.

Actualmente, o sector reflecte decisões de curto prazo, tomadas no passado. Após a extracção dos depósitos mais superficiais, as mineradoras precisam agora desenvolver novas formas de operação. Com corpos minerais mais profundos, a tecnologia torna-se essencial para viabilizar novos projectos, assim como o avanço do conhecimento geológico, a adoção de novos equipamentos e o mapeamento mais preciso das futuras instalações.

“Inclusive, a agenda ESG – tanto em ambiental, social e governança – é um vector muito importante a ser considerado pelas mineradoras em cada movimento e operação. Hoje, não há mais nenhum rascunho de projecto que não considere essas temáticas”, sinaliza Sartorio.

Na pesquisa, 28% dos executivos brasileiros indicaram a circularidade como um dos factores importantes da agenda ESG a ser analisado pelos investidores do sector de mineração e metais nos próximos 12 meses, o que representa uma média maior que o índice global (16%).

“O relacionamento com as comunidades é fundamental. Compartilhar valor com esses stakeholders, desenvolver essas regiões e as suas populações são acções alinhadas com as necessidades do Brasil; sem preterir a mitigação dos impactos dos biomas, a descarbonização e agenda climática”, destaca Sartorio.

Entre Junho e Julho de 2025, a EY realizou uma pesquisa global online anónima com líderes seniores dos sectores de mineração e metais, de organizações com receita de pelo menos US$ 1 bilião. No total, foram recolhidas 500 respostas, sendo 24% de membros do conselho ou executivos de alto escalão (C-suite), 38% líderes de departamentos, unidades de negócios ou grupos de commodities, e 38% presidentes, vice-presidentes ou diretores. O recorte do Brasil corresponde a aproximadamente 10% da base.

O recorte brasileiro do estudo global Top 10 Riscos e Oportunidades para Mineração e Metais, conduzido pela EY, destaca os temas prioritários para o ano e reúne insights de lideranças do sector e especialistas da organização sobre como alavancar competitividade e investimentos.

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