
O Brasil assinou, em Fevereiro deste ano, um acordo de colaboração com a Índia para transferência de tecnologia, exploração e pesquisa para mineração de terras raras. Essa parceria pode ampliar a extracção desses minerais no Brasil.
A Agência Nacional de Mineração (ANM), já autorizou milhares de pesquisas para analisar a viabilidade desta exploração no país. Mas a questão é que esse processo leva tempo.
De 15 a 20 anos, entre a pesquisa até a criação da lavra de exploração, segundo Mariano Laio de Oliveira, chefe da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos da ANM.
“A gente tem esses dois factores críticos, que é justamente esse longo tempo de maturação do empreendimento, de 15 a 20 anos desde o início da pesquisa até a lavra entrar efectivamente em produção. E a gente tem um outro factor complicado também, que chama risco geológico. Que a gente tem já vários estudos feitos internacionalmente, e resumindo, de cada 500 a 1000 requerimentos de pesquisa que veem uma área promissora e começa a fazer a pesquisa, daqueles mil que foram requeridos, apenas uma realmente vira mina”.
Além de tempo, são necessários grandes investimentos. A quantidade dos 17 elementos químicos das terras raras em processo de extracção é muito pequena. Em uma tonelada de argila iônica, por exemplo, é esperado o refino de apenas um quilo de terras raras.
E não é só minerar. As terras raras ainda são processadas e refinadas. É toda essa cadeia produtiva que garante a viabilidade económica deste tipo de mineração. E para isso, é preciso um investimento de milhões de reais, segundo o professor da Escola Politécnica da USP, Fernando Landgraf.
Após a mineração, o desafio é produzir os super ímãs utilizados nas indústrias. Uma iniciativa em Minas Gerais criou o primeiro laboratório e fábrica de ímãs de terras raras do hemisfério sul. Fernando Landgraf afirma que essa experiência tem que fazer parte de uma cadeia de produção que vai desde a extracção dos minérios até a fabricação dos ímãs.
“Existe um laboratório-fábrica á ser montado em Minas Gerais, que pretende produzir de 10 a 100 toneladas por ano desses ímãs de terras raras. Isso é uma quantidade pequena, o Brasil hoje já consome mais de 1000 toneladas. Fabricar o ímã sem ter o neodímio, a terra rara separada, não… é impossível. Mas, se a gente quiser ter fábrica de ímã, tem que ter essa etapa de separação, e esta é uma etapa muito cara”.
Operado pelo Senai, o laboratório tem o potencial de produzir até 100 toneladas de imãs por ano e já conta com parceria de dezenas de empresas envolvidas na cadeia de exploração das terras raras.
Rádio Agência