JOINT VENTURE ENTRE A CHALCO E RIO TINTO COMPRA MAIS DE 65 % DAS ACÇÕES DA COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO

JOINT VENTURE ENTRE A CHALCO E RIO TINTO COMPRA MAIS DE 65 % DAS ACÇÕES DA COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Económica (Cade) aprovou em tempo recorde e sem restrições, a venda de participação maioritária da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para uma joint venture formada pela chinesa Chalco (subsidiária da Chinalco) e pela anglo-australiana Rio Tinto.

Na transacção, a CBA vendeu 68,6% de suas acções, ao preço de R$ 10,50 por acção, totalizando R$ 4,7 biliões. A joint venture que fez a aquisição é controlada maioritariamente pela Chinalco, com 67%, enquanto a Rio Tinto possui 33%.

Em função da aprovação, as empresas têm o prazo de 15 dias para realizarem uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para os accionistas minoritários da CBA. Estima-se que esta etapa custe para a joint venture mais R$ 2,1 biliões. Depois disso, os novos controladores pretendem cancelar o registo da CBA como companhia aberta na B3. A expectativa é que o preço de aquisição das acções dos minoritários fique em torno de R$ 10,50 por acção, que foi o valor pago pela participação maioritária.

O encerramento definitivo do negócio, no entanto, ainda depende da aprovação de outros órgãos, como as autoridades antitruste em outros países (como China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai) e aval de organismos regulatórios brasileiros, como Aneel e CCEE, já que a CBA é um importante gerador de energia no Brasil.

Com a aquisição da CBA, maior produtora de alumínio da América Latina, a Chinalco e a Rio Tinto assumem o controlo de activos formados por: unidades de produção de bauxita em Miraí, Itamarati de Minas e Poços de Caldas, em Minas Gerais; uma unidade de produção de bauxita em Barro Alto (GO); fábrica integrada de alumínio primário em Alumínio (SP); unidade de produção de chapas e folhas de alumínio em Itapissuma (PE); planta para reciclagem de alumínio e produção de tarugos (Metalex) em Araçariguama (SP); unidade para produção de ligas de alumínio secundário (Alux) em Nova Odessa (SP); 21 usinas hidroeléctricas em vários estados e participação em parques eólicos. Além disso, a CBA possui o Projecto Rondon, uma jazida de bauxita de classe mundial no estado do Pará, com reservas estimadas em mais de 1 bilião de toneladas. A empresa tinha um projecto que visava a produção de 18 milhões t/ano de bauxita e 3 milhões de toneladas de alumina. O investimento estimado para implantação do projecto Rondon é da ordem de R$ 2 biliões. Também faz parte do portfólio da CBA uma mina e usina de níquel, em Niquelândia (GO), que está paralisada há vários anos.

A venda marca a saída da família Ermírio de Moraes de um sector histórico para o grupo. A CBA foi fundada em 1955, pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, que enfrentou muitas dificuldades para viabilizar o seu projecto de alumínio no País.

Mas a transacção faz parte da estratégia adoptada pela holding Votorantim de sair dos negócios intensivos em capital e sujeitos aos ciclos que caracterizam o sector de commodities. O grupo já havia se desfeito dos negócios de siderurgia (vendidos para a ArcelorMittal), de papel e celulose (venda da Fíbria para a Suzano) e de sumo de laranja (venda de participação da Citrosuco para um fundo de pensão canadiano). Também foi vendida, há alguns anos, a unidade de metalurgia de níquel, em São Miguel Paulista (SP), que estava paralisada há alguns anos. A Votorantim ainda mantém participação no segmento de metais, no caso o zinco, através da Nexa Resources, uma empresa internacional, listada em bolsas no exterior, com sede em Luxemburgo e activos no Brasil e Peru, principalmente. Será que a venda da participação na Nexa é o próximo passo?

Brasil Mineral