TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: EMPRESA AMERICANA ADQUIRE ÚNICA MINA QUE PRODUZ TERRAS RARAS NO BRASIL POR US$ 2,8 BILIÕES

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: EMPRESA AMERICANA ADQUIRE ÚNICA MINA QUE PRODUZ TERRAS RARAS NO BRASIL POR US$ 2,8 BILIÕES

A americana USA Rare Earth (USAR), listada na Nasdaq, concluiu a aquisição do grupo Serra Verde, dono da única mina que produz terras raras no Brasil. A operação foi concluída na última quinta-feira, e anunciada pela companhia.

A transacção, anunciada em Abril, foi estimada em US$ 2,8 biliões (cerca de R$ 14 biliões). Pelo acordo, esse valor foi dividido em duas partes: US$ 300 milhões em dinheiro e o restante em 126,8 milhões de acções da companhia americana.

A oferta de acções passou pela aprovação dos accionistas da USAR na última semana.

A aquisição foi concluída um dia depois de o Senado aprovar o projecto de lei (PL) 2.780, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil (PNMCE).

A transacção acendeu um alerta para o governo brasileiro avançar com uma política para o sector. O texto aprovado dá poder a um conselho criado pela lei para homologar operações envolvendo minerais críticos e estratégicos.

Mas a legislação, que ainda vai à aprovação do presidente Lula, não deve ter efeito retroactivo na aquisição, segundo Rafael Fernando Feldmann, advogado e sócio da área de Direito Ambiental do Cascione.

Terras raras são um grupo de elementos que, junto com minerais como lítio, nióbio e cobalto, compõem a categoria dos chamados minerais estratégicos: insumos essenciais para veículos eléctricos, armamentos e chips, entre outros produtos.

A China domina a produção e o processamento desses materiais e esse virtual monopólio beneficia o país em disputas geopolíticas. Depois de abandonar essa cadeia nos anos 1980, os americanos viram o futuro de algumas das suas indústrias estratégicas vulnerável às políticas restritivas chinesas. 

Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil entrou na mira dos EUA e de outras potências como Japão e União Europeia.

Desde Abril, o governo americano fez uma série de movimentos para montar uma cadeia alternativa à China. Um deles foi se tornar sócio da USAR por meio de um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilião do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (DOC, na sigla em inglês). 

Da mina ao ímã

A Serra Verde, localizada em Goiás, é a única mineradora fora da Ásia a extrair em escala comercial os quatro elementos mais cobiçados dos 17 que são chamados de terras raras, segundo o Ministério de Minas e Energia. De acordo com a USAR, essa caraterística faz a Serra Verde ser um “activo único” fora da Ásia.  

A mina brasileira faz parte dos planos da USAR de construir uma cadeia completa – da mineração ao processamento de terras raras à produção de ímãs – fora da China. 

Além de extrair e separar os minerais, a empresa quer avançar até a fabricação de ímãs. A ideia é conectar a produção brasileira com plantas industriais nos EUA, França e Reino Unido.

No comunicado, a USAR disse que a Serra Verde está a concluir ajustes na mina para aumentar gradualmente a produção ao longo do terceiro trimestre deste ano.

A produção deve chegar a 4 mil toneladas anuais de óxido de terras raras (produto processado com os elementos de terras raras) até o fim de 2026. Toda a produção dessa etapa será destinada ao governo americano.

Uma segunda etapa de expansão está em construção e deve elevar a produção média para cerca de 6,4 mil toneladas anuais. A empresa prevê o início desta fase nos próximos 12 meses.

Com a conclusão da aquisição, Thrasyvoulos Moraitis, que comandava a Serra Verde, assume a presidência da USAR e passa a integrar o conselho da empresa. O executivo vai assumir como CEO em 1 de Outubro.

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