BRASIL CHAMADO A REALIZAR MEGA PROJECTOS DE MINERAÇÃO

BRASIL CHAMADO A REALIZAR MEGA PROJECTOS DE MINERAÇÃO

O ⁠Brasil deveria voltar a realizar mega projectos de mineração, de US$15 biliões a ⁠US$20 biliões, e a Vale tem capital para isso, disse o presidente da mineradora, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira, ‌18, ao defender reformas para o sector que “destravem” o potencial do segmento no país.

Ele pontuou que o último mega projecto desenvolvido pela empresa foi a mina S11D, inaugurada há cerca de 10 anos na Serra de Carajás, no Pará. O executivo citou ‌ainda que há muito potencial a ser desenvolvido na região, de onde a companhia extrai boa parte do seu minério de ferro.

“Nós temos capital, temos como fazer, temos conhecimento técnico. A gente precisa entender que esses projectos vão mover o ponteiro, a gente tem a infra-estrutura… e a gente precisa acelerar o desenvolvimento desses projectos”, afirmou Pimenta, ao participar do evento “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, onde lançou um estudo com propostas para o sector.

“A gente quer destravar o potencial do Brasil”, acrescentou ⁠em declarações ‌aos jornalistas, defendendo uma agenda de Estado que possa identificar “projectos transformacionais”, que poderiam ser trabalhados em forças-tarefas junto ao governo, “com ⁠todo rigor ambiental necessário”.

No estudo com propostas para o sector, elaborado com a colaboração da consultoria Accenture, a Vale defendeu que a produção mineral anual do Brasil pode saltar para até R$535 biliões em 2035, aumento de 78% em comparação com os cerca de R$300 biliões actuais, caso seja implementado um conjunto de medidas que permita a optimização do licenciamento ambiental, ampliação do mapeamento geológico e fortalecimento da regulação do sector.

O relatório aponta que o Brasil reúne ​algumas das maiores reservas globais de minerais estratégicos, mas perdeu competitividade na última década devido a questões relacionadas ao licenciamento, à infra-estrutura e ao conhecimento geológico. Actualmente, somente 28% do território nacional possui cobertura geológica considerada adequada para ​orientar investimentos em pesquisa mineral, segundo o levantamento.

Nos últimos anos, a Vale foi obrigada a diminuir a capacidade de produção e a rever a segurança de diversos projectos após o rompimento mortal de duas barragens de mineração em Minas Gerais, no Brasil nos anos de 2015 e 2019. Após as estruturas terem colapssado e deixado centenas de mortos e diversos danos socioambientais, novas regras foram criadas e houve mais cobranças para o desenvolvimento de novos projectos.

Ao ser questionado sobre como garantir o impacto positivo bem como a geração de valor social e ambiental, ‌Pimenta afirmou que é um processo pelo qual a empresa tem avançado ao ​longo dos últimos anos, “a partir de muita dor e aprendizado”.

“Brumadinho foi um momento de muita dor para a companhia, para a sociedade. Nós frustramos a sociedade brasileira naquele momento, geramos muita dor, muito impacto, e desde então a companhia passa por uma profunda transformação”, afirmou, sem citar o rompimento ⁠de barragem em Mariana, que pertencia à Samarco, joint ​venture da Vale com a ​BHP.

No estudo lançado pela Vale, a empresa defende que o país pode aproveitar a crescente procura global por minerais críticos usados em veículos eléctricos, armazenamento de energia, ⁠data centers e infra-estrutura para ampliar a sua relevância no mercado internacional, ​por meio de uma agenda coordenada entre o governo, sector privado e sociedade.

Proposta ao Estado

Também presente no evento, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que o Estado precisa ser parceiro para acelerar investimentos e disse haver interesse crescente no segmento ​de mineração no Brasil, com o crescimento global da procura por minerais críticos.

Mercadante disse ainda acreditar ser possível combinar protecção ambiental e exploração mineral, e citou a Vale como um exemplo.

A proposta elaborada pela ​Vale a partir do estudo será entregue ⁠aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Entre as medidas defendidas estão a padronização dos processos de licenciamento, o fortalecimento de órgãos reguladores e ⁠ambientais, incentivos à transformação mineral, melhorias na infra-estrutura e no fornecimento de energia e a implementação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos.

Segundo o estudo apresentado pela mineradora, o sector poderia gerar R$1,3 trilião em arrecadação entre 2026 e 2035, ante cerca de R$743 biliões arrecadados na última década, além de elevar o número de empregos directos, indirectos e induzidos para até 5,3 milhões no período, caso as iniciativas propostas sejam implementadas.

Reuters