MINERAIS CRÍTICOS: O QUE DEVE ACONTECER NO MERCADO E NA INDÚSTRIA DE TERRAS RARAS ATÉ 2030?

MINERAIS CRÍTICOS: O QUE DEVE ACONTECER NO MERCADO E NA INDÚSTRIA DE TERRAS RARAS ATÉ 2030?

A Shanghai Metals Market (SMM) uma das principais provedoras de inteligência de mercado para metais e minerais na Ásia, anuncia o lançamento da nova edição do relatório mensal “SMM Rare Earth Industry Analysis and Outlook — June 2026”, com uma análise abrangente que examina as dinâmicas de oferta e procura, as tendências de preços e os impactos regulamentares que estão a moldar o futuro da indústria global de terras raras.

O relatório, com dados referenciados no mês de Junho de 2026, oferece projecções detalhadas até 2030, sendo considerado uma ferramenta indispensável para desenvolvedores de projectos, investidores, produtores e consumidores do sector, traders, instituições de pesquisa e académica, governos e associações.

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Oferta e procura: mercado em transição

O relatório revela que o mercado de óxido de praseodímio-neodímio (Pr-Nd) apresentará, em 2026, um padrão de recuperação caracterizado como “apertado no início, mais folgado ao final”.

Nos primeiros meses do ano, a produção permaneceu baixa, devido às interrupções de feriados e o retorno lento das operações nas empresas de separação.

De Março a Maio, embora as taxas de operação tenham se recuperado, o crescimento da oferta foi limitado pela contracção do sistema de reciclagem de sucata, com a produção mensal estabilizada na faixa de 8.700 a 8.900 toneladas.

Para o segundo semestre de 2026, com a liberação da eficiência produtiva de minério primário e o aumento da produção de recursos reciclados, a oferta deve se afrouxar significativamente, com a produção média mensal prevista entre 9.500 e 9.700 toneladas.

Por outro lado, a procura apresenta uma tendência de “baixa no início, alta ao final”, impulsionada pela recuperação da cadeia de veículos de nova energia, pela procura de exportação e pelo suporte dos sectores de electrodomésticos e robótica.

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Controlo de exportação e políticas regulatórias

Um dos aspectos mais relevantes do relatório é a análise dos impactos dos controlos de exportação chineses sobre terras raras.

O porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, reafirmou que o governo chinês implementa controlos de exportação sobre itens relacionados a terras raras em conformidade com leis e regulamentos. Segundo ele, todas as solicitações de exportação legítimas para uso civil foram aprovadas em tempo útil, e o governo adopta activamente medidas de facilitação, como licenças gerais, para promover o comércio em conformidade de itens de uso duplo.

Além disso, o Conselho de Estado chinês deliberou e aprovou as “Regulamentações sobre a Implementação da Lei de Recursos Minerais”, que detalham sistemas e medidas relacionados à gestão de direitos mineiros e ao desenvolvimento e utilização de recursos minerais, com ênfase na identificação científica de um catálogo de recursos minerais estratégicos e na melhoria dos sistemas de reservas e resposta a emergências, especialmente para recursos críticos como terras raras, lítio, níquel e cobalto.

Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras, mas juros e déficit ameaçam, e país pode perder oportunidade histórica (Foto: Imagem criada usando Flux 1.1 Pro/Gazeta do Povo)

Cenário internacional: Lynas e os EUA

O relatório também destaca movimentos significativos fora da China. Em Março de 2026, a Lynas Rare Earths anunciou a assinatura de uma carta de intenção vinculativa / acordo de fornecimento com o governo dos Estados Unidos, com uma cota de aproximadamente 96 milhões de dólares ao longo de quatro anos para a aquisição de óxidos de terras raras leves e pesadas, estabelecendo um preço piso de cerca de 110 dólares/kg para NdPr. Contudo, o mercado ressalta incertezas significativas quanto à execução da planta de separação de terras raras pesadas no Texas, bem como riscos de custo e licenciamento.

A American Rare Earths, por sua vez, planeia expandir a produção e construir uma fábrica de ímãs e metais de terras raras no Condado de Cherokee, Carolina do Sul, com capacidade anual prevista de 6.400 toneladas de ímãs NdFeB e 5 mil toneladas de metais e ligas de terras raras, visando operação experimental em 2028.

Juntamente com a planta existente em Oklahoma, formará uma capacidade doméstica total de 10 mil toneladas/ano, cobrindo as cadeias de defesa nacional, aeroespacial, semicondutores, inteligência artificial e energia.

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Projecções de preços e balanço 2026–2030

O relatório apresenta Projecções de preços para os principais produtos de terras raras (óxido de Pr-Nd, Liga Pr-Nd, óxido de disprósio, liga de ferro-disprósio, óxido de térbio e térbio metálico), com base no cenário e modelo da SMM.

Segundo a análise da SMM, a estrutura de mercado do óxido Pr-Nd evoluirá de “déficit” para “excedente” ao longo do período 2026–2030. Em 2025, uma lacuna significativa entre oferta e procura sustentou a alta dos preços.

De 2026 a 2028, com a previsão de que tanto a oferta quanto a procura careçam de elasticidade, o mercado entrará em equilíbrio apertado, com flutuações de preços mais estreitas.

Já em 2029–2030, uma tesoura entre a liberação de oferta e o enfraquecimento da procura deslocará o mercado para o excesso de oferta, exercendo pressão de correcção sustentada sobre o centro de preços.

China e Estados Unidos lideram a procura mundial por terras raras. (Foto: Imagem criada usando Dall-E/Gazeta do Povo)

Reciclagem e sustentabilidade: o sector que mais cresce

O relatório identifica a reciclagem de sucata de NdFeB como um dos segmentos de maior crescimento na cadeia de terras raras.

Em 2026, o volume de reciclagem de sucata de NdFeB deve registar um aumento de 41,17% em relação ao ano anterior, impulsionado pela alta dos preços do Pr-Nd, que melhorou significativamente a rentabilidade das empresas de reciclagem e elevou as taxas de operação do sector. A participação da produção reciclada no total de óxido Pr-Nd continuará a aumentar, reflectindo a transição estrutural do sector rumo à economia circular.

No entanto, o mercado de terras raras médias e pesadas apresenta desafios distintos. A implementação de controlos de exportação provocou declínios nas exportações e no uso de óxidos de terras raras médias e pesadas, enquanto as empresas de materiais magnéticos continuam a promover tecnologias de ímãs permanentes sem terras raras pesadas, reduzindo o conteúdo de disprósio e térbio no NdFeB e, consequentemente, os rendimentos desses elementos no processo de reciclagem de sucata.

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Relevância para o Brasil

Para o público brasileiro, o relatório oferece insights estratégicos fundamentais. O Brasil procura posicionar-se como fornecedor alternativo numa cadeia global dominada pela China. Com os controlos de exportação chineses e a crescente busca por autonomia mineral nos EUA e Europa, janelas de oportunidade se abrem para produtores brasileiros. O relatório fornece dados essenciais para a tomada de decisão sobre investimentos em capacidade produtiva, parcerias internacionais e estratégias de comercialização, incluindo análises detalhadas dos mercados de óxido Pr-Nd, liga Pr-Nd, óxido de disprósio, óxido de térbio e liga disprósio-ferro.

Além disso, os dados sobre reciclagem de sucata apresentam um modelo que o Brasil pode replicar à medida que o seu parque industrial de ímãs permanentes se desenvolve. A compreensão das tendências de preços e dos ciclos de oferta-procura é vital para empresas brasileiras que pretendem competir no mercado global ou estabelecer acordos de fornecimento de longo prazo com parceiros internacionais.

Brasil Mineral