
Insumos essenciais para indústrias de alta tecnologia e baixo carbono viraram um dos pontos que podem facilitar as negociações entre Brasil e EUA por tarifaço.
O rápido desenvolvimento de novas tecnologias avançadas, das baterias de carros eléctricos e painéis fotovoltaicos aos semicondutores e armamentos, provocou um aumento global da procura por minerais críticos que são insumos dessas novas indústrias.
As chamadas terras-raras estão entre as mais cobiçadas matérias-primas do mundo actualmente e ganharam uma importância geopolítica sem precedentes com a guerra comercial promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
O Brasil desponta com vantagens naturais nessa corrida. Reportagem do GLOBO mostra que oito projectos de mineração de elementos de terras-raras (ETRs) em curso no Brasil poderão desenvolver mais de um terço da reserva potencial do país — considerada a segunda maior do mundo, só atrás da da China, que domina esse mercado e que está a incomodar Trump.
São 21 milhões de toneladas totais de óxidos de terras-raras (TREO, em inglês), atrás só da China, conforme o Serviço Geológico dos EUA (USGS). Os projectos mais avançados, em Minas, Goiás, Bahia e Amazonas, somam 38% disso, com capacidade de produzir 7,98 milhões de toneladas de TREOs, segundo o relatório do Cebri e informações das empresas.
Para acadêmicos, consultores e executivos, o Brasil se destaca nesta nova dinâmica pelo tamanho e pela qualidade das reservas. Segundo estimativa recente do Ibram, que reúne empresas brasileiras de mineração, os investimentos somam US$ 2,2 bilhões (R$ 11,5 bilhões) de 2025 a 2029.
Do que é que estamos a falar?
São muitos os bilhões envolvidos sempre que se fala neste assunto, mas, afinal, de que tipo de matéria-prima todo o mundo está cobiçando como nunca? O que de facto está em jogo? Confira a seguir infográficos que vão te ajudar a entender mais desse assunto.

Onde estão as reservas brasileiras?
O Brasil tem interesse em atrair investimentos para explorar ETRs, cuja produção demanda uma cadeia industrial de beneficiamento. Os oito projetos mais adiantados no país foram mapeados em um relatório do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), feito com o Ibram e instituições de pesquisa.
Estão à frente deles empresas estrangeiras, principalmente pequenas mineradoras de capital aberto, conhecidas como “junior mineral companies”, de EUA, Austrália e Canadá. No entanto, a maior parte está em estágios inicias e apenas um está em operação. Faltam planos para explorar cerca de dois terços do potencial brasileiro.
O Brasil tem ainda outros 12 projectos nessa área, a maioria ainda sem reservas estimadas. A Terra Brasil Minerals espera concluir nos próximos meses a venda de uma fatia minoritária de suas acções para investidores internacionais como forma de levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para iniciar um outro projecto em Patos de Minas (MG) que combina ETRs com fosfato e potássio, usados na fabricação de fertilizantes, informou a Reuters.
O Globo