
Campos Verdes abriga uma das maiores jazidas de esmeraldas do mundo. É o único município produtor em Goiás. A meta, agora, é clara: transformar o estado em pólo joalheiro com padrão internacional.
Uma empresa chinesa de jóias firmou um acordo para produção local. A proposta é lapidar as pedras em Goiás e fabricar jóias directamente no estado. Como símbolo dessa cooperação, empresários locais doaram ouro e esmeraldas ao governo, para criar uma peça exclusiva e exibir o potencial do estado à produção de jóias.
A designer Carla Amorim, considerada no sector como uma referência nacional, criou um colar com 15 esmeraldas, gemas equivalentes a 40 quilates, com 200 gramas de ouro. A peça é avaliada em R$ 400 mil e está em exibição permanente na exposição “Riquezas goianas”, no Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual.
Um cluster de jóias também foi lançado, para capacitação, certificação e inserção em mercados nacionais e internacionais. Com essas medidas, espera-se não só um aumento na produção como também a entrada de novos produtores formalizados. O objectivo é profissionalizar e expandir o sector com segurança jurídica.

Licença para garimpo de esmeraldas tem processo de renovação demorado
Apesar do crescimento, o sector enfrenta desafios. A maioria dos mineradores ainda opera sem licença ambiental.
“A documentação é muito morosa. As licenças são difíceis de serem tiradas. Precisamos de investimentos altos. Também é necessária a união dos donos de minas, para criarmos uma cooperativa forte e assim alavancar a produção”, relata Thomaz Zuzarte, empresário da mineração, produtor há mais de 20 anos.
Cleiton Roberto Souza, vice-presidente da Associação Sino Brasileira de Mineração (ASBM) e empresário da mineração em Campos Verdes, afirma que o principal desafio para o crescimento do sector reside no licenciamento dos garimpos. A Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) tem validade de cinco anos, mas os órgãos responsáveis impõem um processo de renovação burocrático e demorado.
Segundo ele, a actividade causa pouco impacto ambiental.
“Nossa mineração não atinge o lençol freático. Por isso, precisamos destravar esse processo, porque hoje 80% do garimpo opera de forma irregular”, destaca.
Apesar da riqueza mineral, Souza observa que Campos Verdes continua a ser um município bilionário e, ao mesmo tempo, pobre, justamente porque possui grandes reservas, mas as explora de forma limitada.
Para ilustrar, o empresário conta que uma pedra de esmeralda de 10 quilates retirada recentemente foi avaliada em US$ 120 mil. Para mudar esse cenário, o governo de Goiás articula para regularizar a actuação dos garimpeiros, fornecendo autorização por um período de experiência até que obtenham os documentos e requisitos exigidos nas leis de mineração.
Além disso, o Sebrae e a Superintendência de Mineração iniciaram o processo de Indicação Geográfica (IG). A certificação garantirá a rastreabilidade e a autenticidade das esmeraldas, valorizando a produção goiana.

PIB de Campos Verdes cresceu 110% em três anos
Campos Verdes já teve 40 mil habitantes, no auge da exploração. Hoje, restam cerca de 4 mil. A virada começou em 1981, quando um operário de estrada descobriu as primeiras esmeraldas com a lâmina de um tractor. Ele encheu um saco de pedras, desapareceu e espalhou a notícia. Assim começou a corrida do garimpo.
A cidade enfrentou altos e baixos desde então. No entanto, os números actuais são animadores. Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) municipal alcançou R$ 4,9 milhões em 2021. Isso colocou Campos Verdes na 13ª posição no ranking estadual, com crescimento superior a 110% em três anos.
Um dos eventos que movimenta o sector na cidade é a Feira Internacional das Esmeraldas, cuja 10ª edição foi realizada no período de 19 a 21 de Setembro, onde os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer e adquirir peças legítimas.

A feira também ofereceu uma oportunidade de acompanhar todo o processo de confecção das joias, desde a extracção das esmeraldas até o produto final. Além disso, os participantes puderam visitar as áreas de garimpo, acessando minas de até 250 metros de profundidade.
Uma actividade chama atenção. No “Garimpe e Pague”, o turista compra uma pá de xisto e todas as esmeraldas que encontrar são suas. Com um histórico de movimentar mais de R$ 90 milhões ao longo das nove edições anteriores, a feira gerou mais de R$ 12 milhões em negócios em 2025. Na última edição, mais de 40 mil pessoas participaram.
Gazeta do Povo