
Pelo menos três pessoas morreram numa tentativa de invasão de uma mina no norte do Perú na véspera do Ano Novo, informou, nesta quinta-feira, a promotoria de Pataz, militarizada desde 2024 pela violência provocada pela “febre do ouro”.
Pataz é uma província localizada a 900 km de Lima e se encontra em estado de emergência desde Fevereiro de 2024 devido à escalada da violência provocada pela extracção de ouro. Em Maio de 2025, 13 trabalhadores de uma grande empresa de mineração foram mortos após serem sequestrados em uma mina aurífera.
A promotoria de Pataz anunciou, em um comunicado, que “iniciou uma investigação preliminar sobre o crime de homicídio de três pessoas, cujos corpos foram encontrados com impactos de bala na entrada da mina ‘Papagayo'”. No local, a polícia encontrou 11 cartuchos de bala, acrescentou a promotoria.
O prefeito de Pataz, Aldo Mariño, tinha dito ao canal N de televisão que, “segundo a informação recebida do capitão da Polícia do Perú, esta quarta-feira, aproximadamente às 23 horas, tinham na Delegacia três pessoas assassinadas”. Mariño mencionou que sete pessoas estariam desaparecidas.
Embora a Polícia não tenha confirmado a informação, órgãos de comunicação locais noticiaram que aqueles que tinham sido inicialmente reportados como desaparecidos já foram localizados.
De acordo com o site Peru21, o crime ocorreu numa zona de extracção de ouro de Petaz momentos antes da meia-noite, quando um grupo de pessoas tentou invadir a jazida e foi repelido no acesso ao local por guardas privados.
Com cerca de 88.000 habitantes, Pataz é o epicentro de uma escalada de violência provocada pela febre do ouro, metal que tem se valorizado nos mercados internacionais. O Perú é o décimo produtor mundial do metal e o segundo na América Latina, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
No país, coexistem três modalidades de mineração: a formal, amparada pela lei; a informal, em processo de legalização; e a ilegal, que se concentra especialmente na exploração de ouro e devasta a Amazônia.
AFP