
Milhões em potencial económico continuam no subsolo enquanto empresas licenciadas não conseguem avançar com a exploração. Governo é chamado a explicar o futuro das concessões sem actividade.
Malanje tem diamantes, tem concessões e tem empresas legalmente autorizadas a explorar os recursos. O que falta, em vários casos, é produção.
Pelo menos 12 das 19 empresas do sector mineiro legalizadas para a exploração de diamantes na província encontram-se paralisadas há cerca de oito anos, alegadamente por incapacidade técnica, segundo dados avançados por Pedro Nginje, director do Gabinete Provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado de Malanje à margem do XIII Conselho Consultivo do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET) que decorreu nos dias 13 e 14 de Agosto, na terra da ‘Palanca Negra Gigante’ e das ‘Pedras de Pungo Andongo’, sob o lema: “Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Factor de crescimento, desenvolvimento sustentável e soberania”.
Segundo apurou o Portal Angola Minas, estas e outras preocupações estavam previstas para serem apresentadas aos responsáveis do sector que se encontravam na província, com vista a se encontrar soluções eficazes para o relançamento da produção destas 12 firmas legalizadas para exploração de diamantes, mas que, por alegada incapacidade técnica continiam paralisadas há sensivelmente oito anos.
O número expõe uma das contradições mais evidentes do sector mineiro angolano: enquanto o país procura atrair novos investidores e aumentar a produção de diamantes, uma parte significativa das concessões já atribuídas continua sem actividade efectiva.
Na prática, mais de metade das empresas diamantíferas referidas pelas autoridades provinciais estão fora de operação.

Oito anos sem produção
A paralisação prolongada levanta questões sobre a capacidade dos titulares das concessões para cumprir os compromissos assumidos e sobre os mecanismos de fiscalização e acompanhamento dos projectos mineiros.
O problema não é apenas empresarial
Uma mina que não funciona não gera os mesmos empregos que uma operação activa, não movimenta a cadeia de fornecedores, não cria a procura esperada por transporte e serviços e não contribui para a economia local na dimensão que seria possível.
Para uma província que procura diversificar a sua economia, oito anos com empresas que deveriam alavancar a sua economia paralisadas, representam um mar de oportunidades demasiado extenso que se perdem para o desagrado dos habitantes daquela parcela do território nacional que poderiam estar a beneficiar de emprego directo e indirecto, bem como do próprio Estado que deveria estar a beneficiar dos impostos decorrentes dessa actividade bastante produtiva.