
As autoridades continuam a apertar o cerco ao garimpo de ouro no município do Dongo, província da Huíla, onde deteve 57 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, como resultado da operação ‘Quebra molas’ que decorre desde o mês de Abril nas localidades da Caála e Capama.
Com os detidos foram apreendidas motobombas, máquinas de pesagem de ouro e armas de fogo.
De acordo com o Chefe de Segurança Pública e Operações do Comando Provincial da Polícia Nacional, superintendente Eliseu Justo, durante a segunda fase foram retirados das minas perto de 40 mil garimpeiros, tendo igualmente denunciado o envolvimento do comandante municipal da Polícia na Matala que já está sob investigação, bem como de alguns jornalistas, professores e efectivos dos órgãos castrenses.
“Quanto a situação do comandante municipal da Matala levanta-se algumas suspeitas de participação nessa actividade e, portanto, o órgão em função da sua imagem e responsabilidade levantou um inquérito ao comandante municipal da Polícia na Matala, por orientação do comandante provincial, e este trabalho está a ser feito”, sublinhou.
De acordo com o oficial, além da suposta participação desta alta patente da `Polícia Nacional, estão envolvidos no garimpo de ouro na Huíla outros cidadãos.
“No terreno identificamos o envolvimento no garimpo de jornalistas, polícias, indivíduos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e até mesmo professores devido ao enriquecimento fácil que esses cidadãos procuram”, explicou, garantindo que, durante a coordenação da actividade de desmantelamento da rede de garimpeiros na zona, foi aliciado com avultadas somas em dinheiro para direccionar a acção da Polícia Nacional para outras zonas.
Por sua vez, a organização ambiental Minuto Verde denuncia igualmente a participação de funcionários do Estado no garimpo de recursos minerais na área do Mupopos, também na província da Huíla.

A denúncia foi feita pelo presidente da organização, Rafael Lucas, que defende uma investigação imediata para apurar e responsabilizar os envolvidos, bem como a suspensão preventiva de todas as actividades de garimpo na referida região.
“Estamos preocupados com essa situação e pior ainda em função do envolvimento de funcionários públicos nesta acção. porque níos achamos que este facto representa não apenas uma infracção ambiental, mas também uma grave violação dos princípios da administração pública. Face a essa situação, achamos que, no âmbito da dinâmica ambiental é necessário promover uma investigação imediata e independente para se apurar, de forma rigorosa, os factos e identificar os possíveis responsáveis bem como a suspensão dessas actividades ilegais”, apontou.
O ambientalista pede ainda o reforço da fiscalização ambiental, com equipas técnicas independentes, e a implementação de um plano de recuperação ecológica na área afectada.
Rafael Lucas sublinha que a exploração de recursos naturais não pode ocorrer à margem da lei, nem sob liderança de entidades que deviam proteger o património público.
RNA