DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA: VARÃO DE AÇO ENTRE OS PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS NO I TRIMESTRE DE 2026

DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA: VARÃO DE AÇO ENTRE OS PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS NO I TRIMESTRE DE 2026

Não obstante as importações gerais de Angola terem recuado 17,1% no primeiro trimestre de 2026, com os bens alimentares a registarem uma queda expressiva de 29,2%, o varão de aço nacional destacou-se entre os principais produtos nacionaos a serem exportados durante esse período, o que reflecte as políticas de estímulo à produção nacional implementadas pelo Executivo.

Dados do Anuário Estatistico do Ministério do Comércio, revelam crescimento expressivo em produtos da industria transformadora, com destaque para farinha de trigo, feijão e varão de aço.

Os dados do comércio externo referentes ao primeiro trimestre de 2026, revelam mudanças estruturais nas importações e exportações a nível nacional, sobretudo no segmento de bens alimentares e produtos industriais.

No terceiro trimestre de 2025, a balança comercial registou uma diminuição de 14,58% no valor total das exportações de bens e um aumento de 7,96% no valor total das importações de bens.

A análise comparativa entre os primeiros três meses de 2025 e igual período de 2026, permite identificar tendências e inclinações relevantes sobre o comportamento do consumo interno de produtos nacionais, redução da pressão cambial e os desafios relacionados à segurança alimentar.

Apesar de a importação de alguns produtos, sobretudo alimentares, continuar parcialmente elevada, as exportações do primeiro trimestre de 2026, mostram sinais positivos de oferta de produtos locais, como resultado da diversificação económica em curso.

Embora os dados de 2025, apresentem diferenças de classificação estatística que dificultam uma comparação directa, os números de 2026, revelam um crescimento importante das exportações industriais não petrolíferas.

Varão de aço

O varão de aço destacou-se como o principal produto exportado entre os itens analisados no primeiro trimestre de 2026. As exportações atingiram aproximadamente 8,7 mil toneladas, equivalentes a cerca de 5,6 milhões de dólares.

O desempenho demonstra expansão da capacidade industrial ligada à metalurgia e à transformação industrial em Angola.

Embora os dados de 2025 apresentem diferenças de classificação estatística que dificultam uma comparação directa, os números de 2026 revelam um crescimento importante das exportações industriais não petrolíferas.

O aumento das exportações de varão de aço contribui na diversificação das fontes de receita externa, reduz a dependência petrolífera, estimula a industrialização e a geração de empregos qualificados, bem como agrega maior valor a economia se comparado à exportação de matérias-primas.

Este resultado pode indicar expansão da capacidade nacional de produção e transformação do aço, substituindo parcialmente a importação do produto acabado, proporcionando maior retenção de valor agregado no país, assim como, o desenvolvimento da cadeia logística interna atrelado a uma expansão do sector industrial.

Do ponto de vista económico, por sua vez, o aumento das exportações de produtos metálicos possui grande relevância estratégica justamente porque vem diversificar as fontes de receita externa; reduz obviamente a dependência petrolífera; estimula a industrialização, a geração de empregos qualificados, assim como o aumento da capacidade produtiva a nível nacional. Além disso, a exportação de produtos industriais possui maior valor agregado em comparação à exportação de matérias-primas simples.

Aumento da produção

País regista maior demanda nas Máquinas e equipamentos.

O Anuário Estatístico do Ministério do Comércio assinala que no período de 2025 e primeiro trimestre de 2026, as importações totalizaram cerca de 14,4 mil milhões, um crescimento na ordem dos 16,9% em relação a 2024, com aumento dos gastos com máquinas, equipamentos e bens alimentares.

Segundo o anuário ao qual o Portal Angola Minas consultou, as máquinas e equipamentos, estão entre os produtos mais importados em 2025, perfazendo cerca de 26% do total, seguido dos bens alimentares, onde o país gastou cerca de 2,14 mil milhões com alimentos, um crescimento de 5% face a 2024.

Enquanto as importações continuam parcialmente elevadas em vários produtos alimentares, as exportações do primeiro trimestre de 2026 mostram sinais positivos de diversificação produtiva. Os dados divulgados, revelam crescimento expressivo em produtos transformados e industriais, especialmente farinha de trigo, feijão e varão de aço.

Em termos gerais isso revela impactos positivos sobre a produção industrial; geração de emprego; arrecadação fiscal e a entrada de divisas.

Implicações económicas gerais

A análise conjunta das importações e exportações do primeiro trimestre de 2026 permite tirar várias conclusões sobre a economia angolana:

Em primeiro lugar, alguns indicadores mostram avanços na substituição de importações. Caso esta tendência seja sustentada ao longo dos próximos anos, Angola poderá reduzir significativamente a pressão sobre as reservas cambiais.

Em segundo lugar, as exportações não petrolíferas demonstram sinais positivos de crescimento industrial e agroindustrial. Produtos transformados começam gradualmente a ganhar espaço nas vendas externas, indicando maior capacidade produtiva nacional.

“O desafio central permanece relacionado à necessidade de consolidar uma base produtiva sustentável”, apelam.

O crescimento isolado de determinados produtos ainda não é suficiente para alterar estruturalmente a dependência externa, tal, será necessário por exemplo expandir o investimento, melhorar as infra-estruturas logísticas, estimular a indústria transformadora, reduzir custos de produção e facilitar o acesso ao crédito.