
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) participou de acção integrada de combate ao garimpo nas Terras Indígenas Aripuanã, Kayabi e Sararé, em Mato Grosso. A operação, que aconteceu entre no final do mês de Fevereiro, foi coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também contou com o apoio da Polícia Federal, da Polícia Militar Ambiental, do Batalhão de Operações Policiais Especiais de Mato Grosso (Bope/MT) e da Polícia Civil do estado.
A operação resultou na retirada de um robusto aparato utilizado no garimpo, com a apreensão e inutilização de 23 dragas, 12 balsas de mergulho, cinco escavadeiras hidráulicas, 51 mil litros de combustível, além de motores, embarcações, acampamentos, dispositivos de conectividade, ouro e mercúrio. A presença desses equipamentos evidencia a estrutura organizada da actividade criminosa e seus graves impactos ambientais. Ao neutralizar esses recursos, a operação desarticula a logística do garimpo e reduz a sua capacidade de reorganização imediata nos territórios indígenas.

A actividade garimpeira em terras indígenas é ilegal e provoca graves impactos ambientais, o que afecta directamente os territórios e o modo de vida dos povos Cinta-Larga, Kayabi e Nambiquara. Além dos danos ambientais, a presença de invasores amplia riscos sociais e pressões sobre as comunidades indígenas.
Segundo a coordenadora-geral de fiscalização vinculada à Directoria de Protecção da Territorial (DPT) da Funai, Juliana de Almeida, as acções reforçam o compromisso da Funai “no combate a ilícitos em terras indígenas e destacam a importância da actuação integrada entre distintos órgãos para potencializar os resultados alcançados”.

Mercúrio e danos irreversíveis
O uso do mercúrio no garimpo representa uma das maiores ameaças ambientais e sanitárias da região. O metal pesado contamina rios e igarapés, bioacumula na cadeia alimentar e atinge directamente peixes consumidos por comunidades ribeirinhas e povos indígenas. Os efeitos são persistentes, atravessam gerações e colocam em risco a segurança alimentar e a saúde das populações tradicionais.
As acções de monitoramento e fiscalização seguirão intensificadas nas áreas afectadas, com o objectivo de impedir a retomada das actividades ilegais e garantir que a protecção ambiental e os direitos indígenas prevaleçam sobre a exploração ilícita de recursos naturais em Mato Grosso.

A acção integra a estratégia permanente de fiscalização da Funai, junto com os órgãos de segurança responsáveis, para garantir a posse plena e o usufruto exclusivo das terras tradicionalmente ocupadas, conforme previsto na Constituição Federal. Novas operações conjuntas estão previstas, reforçando o compromisso institucional com a protecção territorial e o enfrentamento aos ilícitos em terras indígenas.
Gov.br