
Actuação da Casa de Governo na Terra Indígena Yanomami — focada em inteligência, comando e controlo — tem sido conduzida por meio de agências federais como PRF, PF e Anac. Só em Novembro do ano passado, 22 garimpeiros foram presos em operações integradas.
No dia 2 de Dezembro, uma aeronave particular vinda de Itaituba (PA) alterou o seu plano de voo para o Aeroporto Internacional de Boa Vista. A mudança levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a identificar inconsistências e accionar a Polícia Federal. Durante a inspecção, os agentes localizaram 54 barras de ouro, totalizando cerca de 51 quilos, além de munições e uma pistola Glock G25 calibre 380, escondidas na aeronave e com passageiros. O carregamento, embarcado fora de Roraima, é investigado por possível ligação com redes interestaduais de mineração ilegal. Embora as apreensões tenham ocorrido dentro de Roraima, todo o ouro tinha origem em outros estados — um padrão reiterado ao longo do ano.
A ofensiva faz parte de uma série de apreensões realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pela Polícia Federal (PF) ao longo de 2025, no contexto das acções coordenadas pela Casa de Governo para desarticular o garimpo. Somados, os flagrantes realizados em 2025 resultaram na retirada de aproximadamente 215 quilos de ouro de circulação em Roraima, impactando directamente a logística da actividade criminosa.
Criada em Março de 2024, a Casa de Governo já registou 249 quilos de ouro apreendidos, equivalentes a R$ 184 milhões, conforme a cotação actual.

Principais apreensões
– 28 de Novembro de 2024: 21 kg de ouro apreendidos pela PRF na BR-174, em fiscalização da rota logística Manaus–Boa Vista;
– Ao longo de 2024: 11,744 kg de ouro apreendidos pela PF no Aeroporto Internacional de Boa Vista, em diferentes operações envolvendo minério sem comprovação de origem transportado em voos comerciais;
– 4 de Agosto de 2025: 103 kg apreendidos pela PRF na BR-401, na maior apreensão da história da corporação no país, baseada em inteligência sobre o fluxo Manaus–Boa Vista;
– 10 de Outubro de 2025: 11,6 kg apreendidos pela PRF na BR-174, provenientes de barras sem origem comprovada.
– 20 de Outubro de 2025: 37,4 kg apreendidos pela PRF em veículo que trafegava pela BR-174;
– 22 de Outubro de 2025: 10,2 kg apreendidos pela PRF em operação integrada, após reforço de fiscalização decorrente do avanço das acções de desintrusão;
Além das grandes apreensões, quantidades menores — às vezes apenas algumas gramas — são encontradas diariamente por agentes federais durante incursões no território, compondo o total de 249 kg.
O director da Casa de Governo, Nilton Tubino, afirma que, após interromper rotas de transporte e financiamento do garimpo, as forças federais passaram a atingir directamente o activo central da actividade criminosa: o ouro.
“Os 249 quilos apreendidos em Roraima desde a abertura da Casa de Governo reflectem esse avanço. Retiramos de circulação recursos que sustentavam a logística ilegal, numa estratégia baseada no controlo territorial e no estrangulamento financeiro para proteger as terras indígenas”, destaca.
Juntas, as apreensões mostram que o episódio de 2 de Dezembro não foi isolado, mas parte de um esforço contínuo para interromper o fluxo de ouro que circula fora da Terra Yanomami e sustenta economicamente a actividade ilegal dentro dela.

Avanço do controlo territorial
Paralelamente às apreensões realizadas fora do território indígena, os indicadores de controlo interno na Terra Indígena Yanomami registam avanços consistentes. Houve redução de 98% na abertura de novos garimpos, resultado do sistema de comando e controlo implementado desde Março de 2024, que viabilizou acções simultâneas e permanentes de fiscalização e presença territorial.

Acções ostensivas
Além do bloqueio logístico e das apreensões, o Governo Federal intensificou o cerco aéreo e terrestre aos invasores, contabilizando 8.459 acções coordenadas desde Março de 2024. As operações envolveram fiscalizações terrestres, fluviais e aéreas; inutilização de pistas clandestinas; e apreensão de combustível, motores, geradores, sistemas de comunicação e outros insumos essenciais ao funcionamento do garimpo.
A firme actuação federal já causou prejuízo estimado em R$ 623 milhões ao garimpo, incluindo o valor do ouro apreendido e os efeitos directos do bloqueio à logística criminosa.
Só em Novembro de 2025, 22 garimpeiros foram presos durante acções de combate directo dentro da Terra Indígena Yanomami, reforçando o enfraquecimento das redes criminosas e a redução progressiva da sua capacidade operacional.
Fonte: Gov.BR