
O ministro de Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, afirmou ter ‘absoluta certeza’ de que a Vale, como uma grande referência global no sector de mineração, vai olhar para a necessidade de realizar grandes projectos no Brasil além do minério de ferro, em minerais críticos e estratégicos, em especial em terras raras.
A afirmação, feita aos jornalistas após participar da abertura do congresso de mineração Exposibram, na noite de segunda-feira, ocorreu ao ser questionado sobre o que achou da declaração do presidente da mineradora, Gustavo Pimenta, na semana passada, de que o país precisa voltar a desenvolver mega projectos.
Na ocasião, Pimenta defendia reformas no sector que ajudem a “destravar” investimentos, como as relacionadas ao licenciamento ambiental, mapeamento geológico e fortalecimento da regulação do sector, e citou que o último mega projecto desenvolvido pela mineradora foi a importante mina de ferro S11D, em Canaã do Carajás (PA), que entrou em operação há 10 anos.
Actualmente, o minério de ferro é o principal produto da Vale, mas a companhia também tem importantes projectos em níquel e cobre.
“Eu acho que está perfeito, o Brasil é o paraíso dos minerais de uma forma geral, em especial agora na era da transição energética’, disse Silveira na Exposibram, organizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
“O Brasil, com as terras raras, vai ser uma oportunidade de reindustrializar o país, de fortalecer o emprego, a renda, a inclusão, e a Vale, como uma grande referência global do sector mineral, é uma empresa que tenho absoluta certeza que, no seu plano estratégico, vai olhar para a necessidade de grandes projectos também, além do minério de ferro, para a área dos minerais críticos e estratégicos, em especial das terras raras”, sublinhou.
Antes, no seu discurso na abertura do evento, Silveira fez acenos positivos à Vale, diferente de outras vezes, em anos passados, que criticou duramente a companhia, quando estava sob a gestão anterior.
No seu discurso, Silveira disse que teve a “alegria de ter o Gustavo à frente da Vale, com mais sensibilidade, com mais abertura” para negociar e fechar em 2024 o acordo de repactuação para reparações e compensações pelo rompimento da barragem da Samarco, joint venture da Vale com a BHP.
Também disse ter ficado impressionado com as potencialidades do Pará no campo mineral, ao visitar a planta da Vale no Estado, sem dar uma data. Ele disse ter compreendido mais, na ocasião, sobre a necessidade da publicação de um decreto que defina regras ambientais mais claras sobre a protecção de cavidades naturais subterrâneas, de forma a reduzir margens de interpretação.
Mineradoras, como a Vale, acreditam que a medida poderá trazer mais celeridade para licenciamentos ambientais.
Aos jornalistas, ele disse que tal decreto sobre cavidades está actualmente na Casa Civil, “nos detalhes jurídicos, técnicos, com consenso entre os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente”.
Entretanto, o governante evitou dar um prazo para publicação, uma vez que não depende do seu pelouro.
Reuters