
A Namíbia fracassou na sua tentativa de adquirir uma participação na produtora global de diamantes De Beers, depois da Anglo American ter seleccionado o Global Diamond Consortium como sua licitante preferencial para a venda da empresa.
O resultado foi anunciado pelo Ministro da Presidência do Botsuana, Moeti Mohwasa, durante uma sessão informativa no parlamento na passada sexta-feira. Na ocasião, o governante afirmou que a Anglo American concluiu um processo de venda competitivo que envolveu três licitantes finalistas.
“A Anglo American realizou um processo competitivo envolvendo três licitantes pré-seleccionados e, desde então, identificou um licitante preferencial, o Global Diamond Consortium”, disse Mohwasa.
Embora tenha acolhido favoravelmente a proposta do consórcio de incluir Angola e Namíbia, Mohwasa não divulgou a identidade dos seus membros.
Ele afirmou que a prioridade era garantir uma operadora experiente, apoiada por uma estrutura de propriedade estável a longo prazo e um plano de recuperação credível e bem financiado para a De Beers.
A Namíbia procurou fazer uma parceria para aquisição com Angola e Botsuana numa iniciativa regional destinada a aumentar a participação africana no maior produtor mundial de diamantes. Botsuana já detém uma participação de 15% no Grupo De Beers.
Como parte da proposta, o governo da Namíbia considerou investir até N$ 3 biliões para adquirir uma participação accionária na De Beers e aprofundar a sua participação em toda a cadeia de valor global dos diamantes.

A proposta surge num momento em que a indústria diamantífera da Namíbia enfrenta crescente pressão devido aos baixos preços globais dos diamantes, à incerteza geopolítica e à concorrência cada vez maior dos diamantes sintéticos, factores que reduziram significativamente a contribuição do sector para a economia.
Os royalties dos diamantes caíram para N$ 644 milhões em 2025, à medida que a recessão continuou a afectar a receita do governo.
Actualmente, a indústria diamantífera da Namíbia é composta por 12 empresas de lapidação e polimento que empregam cerca de 1.100 namibianos, além de milhares de outros empregos em toda a cadeia de valor dos diamantes.
A Anglo American está a vender a sua participação de 85% na De Beers como parte de uma estratégia de reestruturação mais ampla anunciada no ano passado.
Apesar de não ter conseguido concretizar a aquisição, a Namíbia continua a ser um dos parceiros mais estratégicos da De Beers.
O governo da Namíbia e a De Beers detêm, cada um, uma participação de 50% na Namdeb Holdings (Proprietary) Limited, empresa controladora da Namdeb Mining e da Debmarine Namibia.