ENTRE EUA E CHINA: BRASIL ENDURECE POSIÇÃO E RESISTE À PRESSÃO AMERICANA POR TERRAS RARAS

ENTRE EUA E CHINA: BRASIL ENDURECE POSIÇÃO E RESISTE À PRESSÃO AMERICANA POR TERRAS RARAS

O Brasil tem resistido a pressões dos Estados Unidos para firmar um acordo exclusivo na exploração de minerais críticos, segundo reportagem publicada pelo The New York Times no final do mês de Março. O tema coloca o país no centro de uma disputa estratégica que envolve também a China, principal potência global no processamento desses insumos.

De acordo com o jornal, Washington propôs, em Fevereiro, uma parceria bilateral para ampliar a produção de minerais considerados essenciais para sectores como tecnologia e defesa. Até o momento, o governo brasileiro não formalizou resposta à proposta.

Nos bastidores, integrantes da gestão federal avaliam a iniciativa como uma tentativa de influenciar a política nacional para recursos estratégicos. A orientação tem sido evitar compromissos exclusivos e manter margem de negociação com diferentes parceiros internacionais.

Disputa envolve biliões e cadeia produtiva

A movimentação dos EUA incluiu a realização de um fórum em São Paulo para aproximar autoridades e empresas dos dois países. O objectivo seria destravar investimentos de biliões de dólares em dezenas de projectos. O governo brasileiro não participou do encontro.

O interesse internacional se explica pelo potencial do país. O Brasil concentra entre 19% e 23% das reservas mundiais de terras raras, além de possuir praticamente todo o nióbio conhecido e volumes relevantes de lítio e cobalto.

Esses minerais são fundamentais para a produção de carros eléctricos, turbinas eólicas e sistemas militares. Hoje, porém, a China domina a maior parte do processamento global.

A estratégia do governo Lula é diferente da proposta americana. O objectivo é desenvolver uma cadeia produtiva completa no país, incluindo processamento e fabricação de componentes, evitando a exportação apenas de matéria-prima.

Com agências