EUA ALARGAM APOSTA NOS RECURSOS NATURAIS EM MOÇAMBIQUE ÀS TERRAS RARAS

EUA ALARGAM APOSTA NOS RECURSOS NATURAIS EM MOÇAMBIQUE ÀS TERRAS RARAS

O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) pretende financiar o projecto de terras raras no Monte Muambe, um vulcão inactivo na província de Tete, o terceiro grande investimento norte-americano em recursos naturais em Moçambique desde 2024.

Numa informação aos mercados feita pela Altona, a que a Lusa teve acesso essa semana, a empresa de exploração e desenvolvimento de recursos, focada em matérias-primas críticas em África, refere que o Governo norte-americano, através da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA), “confirmou a sua intenção de apoiar” aquele projecto, embora sem avançar valores.

Segundo a Altona, a confirmação foi feita por Thomas Hardy, director-adjunto e director de operações da USTDA, na segunda semana de Fevereiro, na Cidade do Cabo, África do Sul, ao intervir na reunião de alto nível sobre o apoio dos EUA a projectos de mineração Críticos na África subsaariana.

Em 2024, a mineradora Syrah anunciou a aprovação de um financiamento de 150 milhões de dólares da International Development Finance Corporation, instituição de financiamento ao desenvolvimento do Governo dos EUA, para a operação na mina moçambicana de Balama, norte do país, que produz grafite para baterias de veículos eléctricos, inclusive para fábricas norte-americanas.

No ano passado foi o EximBank dos EUA, estatal e que financia as exportações norte-americanas, a aprovar um apoio de 4,7 mil milhões de dólares ao megaprojecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) da TotalEnergies, também em Cabo Delgado.

“O apoio da USTDA visa ajudar a definir o caminho técnico e financeiro para o desenvolvimento de monte Muambe, com foco na produção de elementos de terras raras vitais para ímanes permanentes de alta resistência, aplicações de defesa e tecnologias de transição energética”, explica a Altona, acrescentando que “está sujeito à assinatura de um acordo de doação formal, em fase de preparação”.

Refere também que a empresa “espera receber os resultados dos ensaios da sua recente e extensa campanha de perfuração de fluorite e gálio em breve”, prevendo que estes resultados, e a estimativa de recursos minerais daí resultante, “demonstrarão” que representa um “projecto mineiro viável de interesse significativo”.

Para o director-executivo da Altona, Cedric Simonet, citado na mesma informação, este compromisso dos EUA é “uma poderosa validação externa da qualidade estratégica e do potencial económico” do projecto, destacando “o forte interesse de alto nível” norte-americano “no desenvolvimento de uma fonte alternativa e segura de terras raras”.

“Esta parceria é um claro endosso do nosso progresso em Moçambique, reforça o nosso objectivo comum de avançar com um projecto de crescente relevância estratégica e destaca o papel que monte Muambe pode desempenhar na construção de cadeias de abastecimento globais mais resilientes para terras raras e fluorite”, sublinhou Simonet.

A Altona anunciou em Abril de 2025 ter descoberto minerais com alto teor de gálio no monte Muambe, um vulcão inactivo, na província de Tete, no centro de Moçambique.

Numa informação prestada aos mercados, a Altona referia que foram encontradas concentrações de até 232 gramas de gálio por tonelada, recordando tratar-se de um “metal estratégico raro e muito procurado”, utilizado em aplicações electrónicas e de alta tecnologia, como radares, díodos de luz ou semicondutores.

O monte Muambe é um vulcão inactivo, com 780 metros de altura, situado a leste de Moatize, no centro de Moçambique, tendo um diâmetro externo de seis quilómetros e uma caldeira com cerca de 200 metros de profundidade composta por carbonatitos, ricos em fluorita azul e amarela, que por sua vez contêm gálio.

O preço do gálio ronda os 250 dólares por quilograma, indicou então a empresa, cotada na bolsa de Londres, recordando aumentos recentes neste valor “no contexto de uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos”.

Sapo | Lusa