
O Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, o Estadista Angolano, João Lourenço, apelou, domingo, em Luanda, para a necessidade de um continente mais unido, forte e autónomo para prevenir e resolver os seus próprios conflitos, alertando para as interferências externas e a crescente competição geoestratégica pelas suas riquezas.
Durante o seu discurso, João Lourenço advertiu que África se tornou cada vez mais num espaço de competição entre as grandes potências, interessadas no controlo de recursos estratégicos.
Para melhor atingirem os seus objectivos, o Presidente da República disse que forças externas procuram fragilizar as instituições e as sociedades africanas, fomentando divisões susceptíveis de degenerar em conflitos e guerras.
“Não podemos abdicar deste imperativo de unidade se queremos transformar o nosso continente num pólo de estabilidade, de progresso e de desenvolvimento, capaz de suprir as necessidades globais em matéria de recursos energéticos, alimentares e de outros que vêm adquirindo importância estratégica”, afirmou.
O Chefe de Estado ressaltou que o continente não carece de instrumentos para enfrentar as crises, recordando a existência do Conselho de Paz e Segurança, do Sistema Continental de Alerta Rápido, do Painel dos Sábios, dos mecanismos regionais de prevenção e mediação e da Força Africana em Estado de Alerta.
O grande desafio, sustentou, é fazer funcionar estes instrumentos em tempo útil, de forma coordenada e eficaz, com os recursos financeiros e operacionais necessários. “Precisamos, por isso, de passar de uma cultura de reacção às crises para uma verdadeira cultura de prevenção dos conflitos”, ressaltou o Estadista Angolano.
O Presidente destacou que o objectivo de “Silenciar as Armas em África”, inscrito na Agenda 2063, deve transformar-se numa prioridade política permanente da União Africana.

Construção da “África que Queremos”
Nesta conformidade, o Estadista Angolano advertiu que não será possível construir “a África que Queremos” enquanto persistirem guerras, terrorismo, extremismo violento e mudanças inconstitucionais de governo.
“Sem paz não haverá desenvolvimento sustentável, sem segurança não haverá integração económica efectiva, sem estabilidade não haverá investimento e sem instituições políticas legítimas e funcionais, não teremos Estados suficientemente fortes para garantir a prosperidade e a dignidade dos nossos cidadãos”, alertou.
Na análise dos principais focos de instabilidade, o Chefe de Estado manifestou particular preocupação com a situação no Sudão, que considerou uma das mais graves crises humanitárias do continente.
João Lourenço exigiu aos actores externos que apoiam grupos rebeldes e mercenários com armamento e meios técnicos que cessem o apoio ao conflito.
“Nós, africanos, não alimentamos as guerras e conflitos que se desenrolam em outros continentes. Exigimos, por isso, o mesmo tratamento de respeito e não ingerência nos nossos assuntos”, apelou.
Sobre a República Democrática do Congo, o Estadista Angolano advertiu que a insegurança no Leste daquele país vizinho não pode ser considerada uma questão exclusiva congolesa.
A movimentação de grupos armados, os fluxos de refugiados e deslocados, o tráfico de armas, a exploração ilícita de recursos naturais e as tensões entre países vizinhos, prosseguiu o Presidente da República, conferem ao conflito uma dimensão regional.

Diálogo inter-congolês e a situação no Sahel
O Chefe de Estado defendeu a continuidade dos esforços de mediação africana e saudou o anúncio da realização de um diálogo inter-congolês inclusivo. A situação no Sahel também mereceu destaque na intervenção do Estadista Angolano.
João Lourenço apontou a situação vivida naquelas regiões como uma das mais preocupantes do continente, devido ao terrorismo transnacional, ao extremismo violento e às mudanças inconstitucionais de governo, fenómenos que disse ameaçar a estabilidade para além das fronteiras dos países directamente afectados.
No capítulo das soluções, o Chefe de Estado defendeu uma União Africana mais presente nas zonas de crise, o reforço da diplomacia preventiva e a criação de um Centro de Vigilância capaz de identificar tendências e antecipar riscos.
O Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África apelou à consolidação do Fundo para a Paz, à operacionalização efectiva da Força Africana em Estado de Alerta e à melhoria dos mecanismos de acompanhamento e execução das decisões adoptadas.
Outro dos pontos fortes da intervenção do Chefe de Estado foi o apelo à responsabilização dos que promovem, financiam e armam os conflitos.
Sobre este particular, o Estadista Angolano sustentou a necessidade de o continente africano identificar os actores estatais e não-estatais, nacionais e estrangeiros, assim como as redes económicas e os indivíduos que lucram com a instabilidade, mas continuam impunes.
O Presidente da República apelou para uma maior autonomia estratégica do continente e uma África capaz de falar a uma só voz nos grandes fóruns internacionais. “Só uma África mais unida, mais confiante em si própria, será capaz de defender os seus próprios interesses”, sublinhou o Campeão para a Paz e Reconciliação em África.
